No Dia da Mentira, celebrado neste 1º de abril, o futebol é palco para promessas que não se cumpriram, provocações entre as torcidas e até mesmo contratações furadas. Por isso, a reportagem do UmDois Esportes lembra dez histórias envolvendo Athletico, Coritiba e Paraná Clube que ganharam fama ao longo dos anos.
Conteúdo
- 1 “Nosso projeto é fazer do Athletico campeão do mundo”
- 2 ‘Arena Atletiba’
- 3 Arena da Baixada não tinha capacidade para a final da Libertadores
- 4 “Não vendo Rafhael Lucas nem por 20 milhões de euros”
- 5 O gol do Athletico que não existiu
- 6 Gol de mão do Paraná Clube
- 7 Parceria do Coritiba com o futebol chinês
- 8 Coritiba contrata jogador errado
- 9 Paraná Clube, o clube do século XXI
- 10 Pinheirão, o “Maracanã de Curitiba”
- 11 Siga o UmDois Esportes
“Nosso projeto é fazer do Athletico campeão do mundo”
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Em 2015, quando buscava a reeleição como presidente do Athletico, Mario Celso Petraglia prometeu que o clube seria campeão do mundo até 2024. “Nós queremos é continuar crescendo, cada vez mais forte, e chegarmos naquilo que nós almejamos. Que foi uma promessa nossa, e tenho certeza que vamos cumprir, que em 10 anos, até o nosso centenário [2024], nós botaremos a nossa estrela no peito de campeão do mundo. Podem me cobrar”.
“Nosso projeto, agora, é fazer do Atlético campeão do mundo em 10 anos. E nós temos certeza de que podemos. Por que o Grêmio, o Internacional, o São Paulo e o Santos podem?”, frase de Mario Celso Petraglia, em 2015.
No período, o Athletico ganhou seus primeiros títulos internacionais -Sul-Americana de 2018 e 2021 – e disputou a final da Libertadores novamente em 2022 – perdeu para o Flamengo. Mas no ano final da promessa de Petraglia, o Rubro-Negro encerrou o centenário rebaixado para a Série B do Campeonato Brasileiro.
‘Arena Atletiba’
A ideia de um estádio único para Athletico e Coritiba já foi um sonho antes da definição da Arena da Baixada como sede de Curitiba para a Copa do Mundo de 2014. E voltou a ser assunto em 2017, quando o presidente Mario Celso Petraglia insistiu no tema e até se reuniu com a diretoria coxa-branca.
A matéria do UmDois Esportes de 2017 relatou que “o Coritiba venderia o terreno do Couto Pereira e aportaria cerca de R$ 80 milhões para a construção da Areninha, outro projeto de Petraglia. Com isso, o Alviverde teria direito a metade da casa do Atlético e ambos mandariam os jogos na Arena da Baixada”.
Dois anos antes, Petraglia tinha descartado a hipótese. “Perdemos um momento histórico de fazer a arena única para os três clubes. Não foi possível, a cultura da vaidade foi contra, a paixão não permitiu. Hoje o estádio é nosso, não tem condições em voltar a ser um estádio comum”.
O assunto nunca foi para frente e Athletico e Coritiba continuam jogando na Arena da Baixada e no Couto Pereira, respectivamente.
Arena da Baixada não tinha capacidade para a final da Libertadores
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O Athletico vivia um dos seus grandes momentos da história com a disputa de sua primeira final de Libertadores. Para jogar em casa a decisão contra o São Paulo, o clube realizou uma rápida reforma na Arena da Baixada com a construção de arquibancadas tubulares. O estádio estava apto para receber 24 mil torcedores e precisava de espaço para mais 16 mil lugares.
Com uma obra relâmpago, o Furacão atingiu a capacidade exigida para a Conmebol, que negou os laudos dos bombeiros que constaram o aumento da capacidade da Arena. A decisão gerou muita revolta no time atleticano, que precisou jogar em Porto Alegre e perdeu o título.
“O Leoz (Nicolás, então presidente da Conmebol) tinha envolvimento muito forte com o São Paulo Futebol Clube, com o Marco Polo Del Nero (era presidente da Federação Paulista), ele estudou engenharia em São Paulo e tinha essa ligação. A LG era promotora da Conmebol e do São Paulo”, lembrou o presidente Mario Celso Petraglia, em entrevista em 2018.
“Temos até hoje todas as comprovações legais e atestados exigidos por Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, todos os órgãos competentes, comprovando que nossa capacidade era de 40 mil lugares. Foi uma canetada absurda que impediu que o Athletico Paranaense jogasse a final em seu estádio”, criticou Petraglia.
“Não vendo Rafhael Lucas nem por 20 milhões de euros”
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Revelado pelo Coritiba, Rafhael Lucas despontou como uma grande promessa, marcou 12 gols em 17 partidas durante o Campeonato Paranaense de 2015. Com alta expectativa, o então presidente Rogério Bacellar disse: “Não vendo Rafhael Lucas nem por 20 milhões de euros”.
No entanto, Rafhael Lucas nunca mais repetiu uma grande temporada e rodou por Goiás, Fortaleza, Mirassol, Paraná Clube, Inter de Lages e voltou ao Coxa para uma passagem de somente um jogo em 2018. Depois, ele jogou no Jaguares, da Colômbia, e passou por mais 15 times em apenas seis anos. Atualmente, o centroavante joga no Crac-GO, que disputa a Série D.
O gol do Athletico que não existiu
Na campanha do título do Campeonato Paranaense de 2005, o Athletico empatou na Arena da Baixada com o então lanterna Império do Futebol em 2 a 2, mas um dos dois gols validados nunca existiu. Quando o jogo estava 2 a 1 para os visitantes, o meia Willian Fabbro chutou a bola para fora e se lamentou pela chance perdida.
No entanto, o árbitro José Francisco de Oliveira, conhecido como Cidão, confirmou o gol inexistente para a felicidade da torcida rubro-negra nas arquibancadas e a revolta dos jogadores do Império.
“Eu não sei, bati a mão no chão porque vi a bola lá fora”, disse William Fabro, na entrevista ainda na saída do gramado.
Gol de mão do Paraná Clube
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Em 2009, o Paraná Clube derrota o Ceará por 1 a 0, em Fortaleza, e comemorou uma vitória na Série B que ficou marcada por uma polêmica que não existiria hoje em dia, na época do VAR. O atacante Wellington Silva marcou o gol paranista com a mão e contou com a colaboração do árbitro Charles Hebert Cavalcante Ferreira, que não anulou o lance.
Wellington Silva disse que confessou a irregularidade para o árbitro, que ignorou e foi afastado pela comissão de arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O então presidente paranista Aurival Correia comentou sobre o lance: “Não tem muito porque ele ficar falando do gol. Isso é coisa do futebol”.
Por outro lado, o Ceará se revoltou com o gol irregular. “O atacante do Paraná nem comemorou o gol na hora que a bola tocou as redes porque não acreditou que o lance seria validado”, disse o então presidente Evandro Leitão.
Parceria do Coritiba com o futebol chinês
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O Coritiba surpreendeu a todos em 2016 com o registro no Boletim Informativo Diário (BID) de dois jogadores desconhecidos: o meias Dion Andrade e Ricardinho. Os dois tiveram uma curta passagem pelo CT da Graciosa e levantaram suspeitas de negociações entre empresários e o clube.
Na época, o Coritiba publicou uma nota oficial e justificou que a chegada dos dois era uma parceria com o futebol chinês. “A nossa intenção é a de aproveitar uma oportunidade como essa e mostrar para o mercado que o Coritiba tem estrutura para recuperar esses jogadores, além de fomentar o mercado chinês”.
Em entrevista ao UmDois Esportes, em 2020, Dion Andrade afirmou que os chineses estiveram em Curitiba para concretizar as negociações. “Eles estiveram em um hotel chique da cidade, o Bourbon, e cresceu o olho de todo mundo. Depois, fomos ao escritório do Luiz Alberto [de Oliveira, empresário], que fez a maior propaganda da gente para os chineses”.
“Teve uma viagem com os chineses para efetuar a negociação. Cada jogador ia levar uma quantia e cada empresário ia tirar em cima disso, mas todo mundo cresceu o olho e não deu certo o combinado”, destacou Dion.
Coritiba contrata jogador errado
Em 2002, o técnico Paulo Bonamigo pediu a contratação do atacante Tico Mineiro, que tinha uma carreira de destaque em várias equipes do Brasil. No dia da suposta apresentação, o secretário de comunicação, Domingos Moro, exaltou o jogador: “Ele é um goleador, tem trancinhas que lembram o Oséas e promete sucesso aqui”.
Minutos depois, Moro disse que houve uma situação “contratual intransponível”. A verdade é que a diretoria coxa-branca errou o Tico Mineiro e contratou um jogador de mesmo nome que estava no interior de São Paulo. Assim que percebeu o erro, o clube desfez a negociação.
Paraná Clube, o clube do século XXI
O Paraná Clube nasceu de fusão em 1989 já como uma grande força do futebol paranaense e rapidamente se tornou uma potência com o pentacampeonato do Estadual entre 1993 e 1997. O Tricolor ainda ganhou a Série B em duas oportunidades e disputou a Libertadores pela primeira vez em 2007.
No entanto, o clube acumulou gestões catastróficas, foi rebaixado para a Segundona do Campeonato Paranaense em três oportunidades nos últimos 15 anos e está fora do cenário nacional desde 2022.
Hoje, o Paraná Clube busca um novo recomeço com a venda da Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Com a chegada da NextPlay, a torcida paranista sonha novamente com grandes momentos nos próximos anos no futebol paranaense e brasileiro.
Pinheirão, o “Maracanã de Curitiba”
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O Pinheirão tinha como projeto inicial a capacidade para 180 mil torcedores, mas foi inaugurado em 1985 como um estádio moderno para 44 mil torcedores. Em mais de 30 anos, o local foi palco de títulos de Athletico, Coritiba e Paraná Clube, e recebeu um jogo da seleção brasileira nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2006.
No entanto, o Pinheirão não recebe jogo desde 2007 e hoje vive uma disputa judicial entre o governo do Paraná e o empresário João Destro, dono do terreno.
Em setembro do ano passado, governo do Paraná impugnou a perícia que determinou o valor de R$ 132,1 milhões ao terreno do estádio Pinheirão.
A quantia apontada pelo laudo pericial foi mais que o dobro apontado pelo governo do Paraná e quase três vezes menor que o alegado pela defesa do proprietário do local, o empresário João Destro. A administração estadual estimou o valor em R$ 64,9 milhões, enquanto Destro defende que o antigo estádio tem valor de R$ 358,6 milhões.
A ideia do governo é demolir o Pinheirão e construir um centro de eventos no local.









