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Wladimir defende representação do interior e aponta prioridades para possível mandato federal

Wladimir defende representação do interior e aponta prioridades para possível mandato federal

Viny Soares by Viny Soares
15 de setembro de 2026
in Geral
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O ex-prefeito de Campos dos Goytacazes e candidato a deputado federal Wladimir Garotinho (PL) defendeu o fortalecimento da representação política do interior do Estado do Rio de Janeiro no Congresso Nacional. Em entrevista ao Manchete RJ, ele afirmou que um possível mandato será direcionado à busca por recursos federais, ao aumento dos repasses para a saúde e à articulação de projetos que atendam conjuntamente os municípios das regiões Norte e Noroeste Fluminense.

Eleito deputado federal em 2018, Wladimir deixou a Câmara em 2020 para disputar a Prefeitura de Campos. Eleito naquele ano e reeleito em 2024, deixou o comando do município em 2026 para concorrer novamente a uma vaga no Congresso.

Segundo Wladimir, o interior possui menor participação na distribuição dos investimentos estaduais e federais devido à falta de representantes diretamente ligados às demandas regionais.

“O interior fica com o que sobra dos investimentos. Primeiro vai para a capital, depois para a Região Metropolitana e para a Baixada Fluminense. O que sobra vem para o interior. Muito disso é por falta de representatividade”, afirmou.

O candidato disse que pretende funcionar como uma ligação entre Brasília e os municípios do interior. Para ele, a atuação de um deputado federal envolve a apresentação de emendas parlamentares e a articulação com ministérios e órgãos da União.

“O deputado pode conseguir recursos em parceria com as prefeituras, mas quem executa é o Poder Executivo. Ele pode indicar no orçamento o asfaltamento de uma rua, mas quem licita e executa é o município”, explicou.

Demandas de Campos

Durante a entrevista, Wladimir também foi questionado sobre demandas históricas de Campos nas áreas de transporte, saúde e infraestrutura. O Manchete RJ destacou que esses setores já concentravam reclamações da população quando ele assumiu a Prefeitura e continuam sendo alvo de cobranças após sua saída do cargo.

Ao responder, Wladimir reconheceu que os serviços públicos ainda precisam avançar, mas defendeu os resultados alcançados durante sua gestão.

“Melhorar, a gente sempre quer que melhore. Problemas existem e precisa melhorar”, afirmou.

O ex prefeito concentrou a resposta principalmente nas áreas de saúde e educação. Ele citou as reformas realizadas no Hospital Geral de Guarus e no Hospital Ferreira Machado, a reabertura de mais de 30 unidades básicas de saúde e a ampliação da cobertura da Estratégia Saúde da Família.

Segundo Wladimir, a cobertura territorial da Estratégia Saúde da Família passou de 6% para aproximadamente 70% durante sua administração. Na educação, ele afirmou que o município alcançou as duas melhores notas de sua história no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica.

“Como era o HGG antes do Wladimir? Chovia dentro, havia pacientes nos corredores e pedaços de laje caindo. Hoje, o HGG é outro. Como era o Ferreira Machado? Durante 30 anos, as pessoas ficaram amontoadas nos corredores. Hoje, não estão mais”, declarou.

Sobre o conjunto das demandas, incluindo transporte e infraestrutura, Wladimir argumentou que o orçamento municipal e a condição de Campos como polo regional limitam a capacidade da Prefeitura de atender sozinha todas as necessidades da população.

“A Prefeitura chegou a um momento em que, sozinha, não consegue mais dar vazão a todos os serviços públicos de que a população precisa”, disse.

O candidato utilizou o questionamento para defender sua volta à Câmara dos Deputados. Segundo ele, um mandato federal permitiria buscar recursos e ampliar a articulação de Campos com Brasília.

“Fiz muito com aquilo que tinha em mãos. Agora quero ser deputado federal para ajudar o atual prefeito e os próximos prefeitos a fazerem mais”, afirmou.

Saúde entre as prioridades

Wladimir apontou a saúde como uma das principais áreas de atuação de um possível mandato. Segundo ele, Campos recebe aproximadamente R$ 23 milhões por mês do Sistema Único de Saúde para atendimentos de média e alta complexidade, embora tenha condições de receber um valor próximo de R$ 50 milhões.

O candidato destacou que a rede municipal recebe pacientes de diferentes cidades do interior, aumentando os custos suportados pela Prefeitura.

“Campos é um polo regional de saúde e não consegue atender todo mundo como gostaria e deveria. Se não houver aumento do teto de repasses, vamos ficar sempre patinando”, declarou.

Wladimir citou o deputado federal Murillo Gouvêa, de Itaperuna, como exemplo de parlamentar que conseguiu ampliar o teto de repasses destinado ao hospital de seu município.

“Falta a Campos um deputado que conheça o problema, conheça a solução e esteja em Brasília para mediar essa solução”, disse.

Projeto para o semiárido

Outra prioridade apresentada por Wladimir é a derrubada do veto ao projeto que reconhecia 22 municípios do Norte e Noroeste Fluminense como integrantes de uma área de clima semiárido.

A proposta, de autoria de Wladimir durante seu primeiro mandato na Câmara, foi aprovada pelos deputados e senadores, mas acabou vetada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo o candidato, o projeto permitiria ampliar a proteção aos pequenos produtores e agricultores familiares afetados pelas mudanças climáticas e pelas variações no volume de chuvas.

“Nenhuma prefeitura receberia um centavo. O benefício seria para o produtor rural, para o pequeno produtor e para a agricultura familiar. Ainda temos uma chance, que é derrubar o veto”, afirmou.

Integração regional

Wladimir também defendeu uma atuação conjunta entre os municípios do interior. Segundo ele, as prefeituras já mantêm diálogo por meio do Consórcio Público Intermunicipal de Desenvolvimento do Norte e Noroeste Fluminense, mas ainda falta maior participação dos governos estadual e federal.

O candidato afirmou que pretende atuar na articulação entre as cidades para viabilizar projetos estruturantes e regionais.

“Falta um olhar mais regionalizado. Posso me colocar nessa costura entre os municípios para ajudar a construir e executar projetos regionais”, declarou.

Orçamento municipal

Ao falar sobre a capacidade financeira de Campos, Wladimir afirmou que o município possui um orçamento elevado em números absolutos, mas enfrenta grandes despesas por causa da população e da extensão territorial.

Segundo ele, Campos possui aproximadamente R$ 5 mil em receitas anuais por habitante, enquanto São João da Barra teria cerca de R$ 40 mil.

“Campos tem um bom orçamento, mas, pelo seu tamanho, pela extensão territorial e por ser um polo regional, não consegue mais dar vazão sozinha a todos os serviços que a população precisa”, afirmou.

Fundo soberano

Questionado sobre a possibilidade de Campos criar um fundo soberano com recursos dos royalties, semelhante às iniciativas de Maricá e Macaé, Wladimir afirmou que a medida não é viável no atual momento financeiro do município.

Segundo ele, Campos chegou a receber R$ 1,3 bilhão em royalties, mas a arrecadação caiu para aproximadamente R$ 600 milhões em seu último ano à frente da Prefeitura.

“Não vou mentir nem lacrar para conseguir curtidas. No momento atual, não é possível. Já pode ter sido possível no passado e poderá ser no futuro, mas hoje os royalties são utilizados para pagar o custeio da Prefeitura”, declarou.

Relação com Frederico Paes

Ao avaliar os primeiros meses da gestão de Frederico Paes, Wladimir afirmou que o sucessor possui características e estilo próprios. Ele declarou que não interfere na administração municipal e que somente apresenta sugestões quando é consultado.

“Eu não me envolvo. Você pode perguntar a qualquer secretário. Quando sou abordado na rua, tento explicar que não sou mais o prefeito. Apesar de Frederico ter sido meu vice, ele é ele”, afirmou.

Wladimir disse que pretende utilizar um eventual mandato federal para destinar recursos a Campos e ajudar a administração municipal.

“Torço para que Frederico seja melhor do que eu, porque só assim Campos poderá avançar”, declarou.

Governo do Estado

Wladimir afirmou que manteve uma relação de parceria com o Governo do Estado até 2023, mas que, após a reeleição do governador Cláudio Castro, diversas portas teriam sido fechadas para Campos.

Como exemplo, ele citou a Estrada dos Ceramistas, obra estadual que permanece sem conclusão.

“A Prefeitura é cobrada todos os dias por uma obra estadual. Ela ficou paralisada por implicância política e agora está parada. Enquanto isso, os caminhões continuam passando por dentro da cidade, danificando o pavimento, provocando acidentes e retenções”, afirmou.

O candidato defendeu que as divergências eleitorais sejam deixadas de lado após a escolha dos representantes.

“Passou o período eleitoral, todo mundo precisa sentar à mesa e conversar para a cidade avançar”, disse.

Campanha concentrada no interior

Wladimir afirmou que decidiu concentrar sua campanha nos municípios do interior, sem buscar votos na capital e na Região Metropolitana.

Segundo ele, aparecer entre os nomes mais citados nas pesquisas para deputado federal mesmo atuando em uma área geográfica menor representa um reconhecimento do trabalho realizado em Campos e da trajetória política de sua família na região.

“Meu contingente de votos é menor do que o dos outros candidatos que fazem campanha no estado inteiro. Mesmo assim, apareço entre os dez mais citados. Isso é motivo de felicidade e gratidão ao povo da minha cidade e da minha região”, concluiu.

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