Uma coisa estranha aconteceu em Belém, no Pará: o Athletico, que não ganhava há quatro meses fora da Baixada, venceu o Remo por 2 a 1 no Mangueirão, onde poucos conseguem ganhar. E, assim, vai terminar o turno do Brasileirão disputando uma vaga direta para a Libertadores, algo em que nem o mais otimista dos rubro-negros acreditava.
Um jogo estranho esse de Belém.
De início, um Furacão com um pouco de indolência e outro tanto de soberba submeteu-se ao atrevimento do Remo. Explica-se aí que, logo aos 13 minutos, o time paraense, aproveitando-se de um erro de passe de Jadson, cruzou a bola da direita. Ela encontrou o lateral Gilberto sonâmbulo e sobrou para Jajá marcar: 1 a 0.
O futebol é mesmo contraditório. O gol do Remo despertou o Athletico. Passando a atacar pela esquerda com Claudinho, excelente no apoio, o Furacão passou a provocar a defesa paraense. Aos 25 minutos, Zapelli desviou com o braço, exigindo a intervenção do VAR para anular o gol. Maldito VAR!
Entre parênteses: logo o VAR voltaria a ser personagem importante do jogo. O gol não valeu, mas ficou a lição: bastava acordar e jogar sério para o Athletico empatar. Aos 44 minutos, Viveros, em jogada individual, driblou dentro da área e, chutando enquanto caía, empatou: 1 a 1.
Logo depois, Jajá, que perturbava o frágil Gilberto pela esquerda, acabou expulso. O VAR identificou um gesto obsceno direcionado a Benavídez e recomendou a revisão. O Remo ficou com dez jogadores e sem seu melhor atleta em campo. Bendito VAR!
O Athletico voltou para o segundo tempo sem Gilberto e sem Zapelli, substituídos por Julimar e Leozinho. Quer dizer: em teoria, com Leozinho, era como se tivesse voltado com dez jogadores. Preguiçoso e pensando ser craque, reduz a zero sua influência no time.
Aos 50 minutos, a experiência de Jadson prevaleceu. Recuperando uma bola no meio-campo e aproveitando a defesa do Remo adiantada, colocou Viveros cara a cara com o gol. Com um chute cruzado, o artilheiro do Brasileirão fez 2 a 1.
Mas aí o Athletico sentiu o peso de ter uma peça nula em Leozinho e Julimar perdido no ataque, embora este tenha participado da jogada do gol anulado por impedimento de Renan Peixoto. O velho e talentoso Mendoza teve que fazer das tripas coração para marcar e proteger o lado direito. Recuando demais, o Athletico atraiu o Remo para o ataque.
No fim, o confuso árbitro Rodrigo José Pereira de Lima marcou pênalti de Claudinho. E aí voltou aquele que dividiu as atenções do jogo com Viveros: o VAR. Chamando o árbitro para revisão, mostrou que Claudinho não havia cometido a infração. Ave, VAR!
E assim o Athletico voltou a vencer fora da Baixada. Disseram que esse menino Claudinho é bom. Engano: atacando, ele é excelente. Se aprender a defender, Bruninho será troco.









