Um dos grandes craques revelados pelas categorias de base do Coritiba, Alex fez uma reflexão sobre a dificuldade do futebol brasileiro em revelar novos craques e camisas 10. Atualmente treinador do Athletic-MG, o ex-meia apontou a falta de paciência com o processo de formação de jogadores como um dos problemas.
Na avaliação de Alex, a sociedade atual valoriza cada vez mais a velocidade e acaba deixando de respeitar o tempo necessário para a evolução de cada atleta. Para ele, isso também afeta diretamente os treinadores das categorias de base.
Alex citou como exemplo a pressão que pode existir sobre treinadores das categorias menores de grandes clubes. Segundo ele, uma derrota em um clássico no Sub-12, Sub-13 ou Sub-14 pode ser suficiente para gerar questionamentos, mesmo que o trabalho esteja voltado para a evolução dos jogadores ao longo dos anos.
“Antigamente, um treinador de categoria de base era valorizado pela evolução do atleta, o quanto o atleta A evoluiria de um ano para o ano seguinte. Hoje, não. Hoje, de repente, aqui trazendo para a realidade do Fortaleza, se o treinador do Sub-12 do Fortaleza perdeu o clássico para o Ceará, talvez ele seja questionado. E vice-versa”, comentou, após o empate do Athletic com o Fortaleza no Castelão.
Para o ex-jogador, o futebol precisa discutir com mais profundidade que tipo de jogador pretende formar. A constante troca de treinadores, segundo Alex, pode prejudicar justamente a fase de aprendizado dos jovens.
“Porque, a partir do momento que você fica na base trocando de treinador a todo momento, o próprio menino, a fase de aprendizado dele acaba se perdendo. Realmente, é um tema que merece uma discussão muito mais profunda”, afirmou.
Ex-meia defende mais paciência com jovens talentos
Alex também destacou que o desenvolvimento físico e técnico dos jogadores acontece em ritmos diferentes. Um atleta que apresenta maturação tardia pode perder para outro fisicamente mais desenvolvido nas categorias menores e, alguns anos depois, inverter completamente essa situação.
“Talvez você ter um menino ali com uma maturação tardia que perdeu para um cara que já tem a maturação precoce e, de repente, daqui dois, três anos isso se inverte. Mas será que vai ter paciência para sustentar aquele menino?”, questionou.
O ex-meia também colocou os gestores dos clubes no centro da discussão. Para Alex, dirigentes e responsáveis pelo futebol de base têm papel fundamental para garantir que os jovens tenham continuidade durante a transição entre infância, adolescência e profissional.
“Os gestores de clube têm uma importância grande em entender isso, porque a ponta final do iceberg é o futebol profissional. E aí entra na pergunta inicial do senhor, dos bons jogadores, dos chamados craques, porque a gente vai revelar, a gente vai ter bons jogadores. A questão é como é que a gente vai encaminhá-los de criança, passando para adolescente, saindo de adolescente para entrar na vida adulta”, concluiu.
Após o empate com o Fortaleza, o Athletic se manteve na 13ª colocação da Série B. A equipe de Alex volta a campo nesta quinta-feira (1º), para receber o Sport, em casa.
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