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Basta ao Feminicídio é o grito do Levante de Mulheres em São Paulo

Basta ao Feminicídio é o grito do Levante de Mulheres em São Paulo

Redação by Redação
7 de dezembro de 2025
in Geral
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Logo Agência Brasil

A mobilização contra o feminicídio encheu a Avenida Paulista neste domingo (7), em um grande ato com a participação de milhares de mulheres e homens. Nas faixas e nos discursos, o levante pediu o fim da violência contra as mulheres, com penas mais duras para crimes motivados por misoginia, e combate ao discurso de ódio.

O ato trouxe para a discussão questões estruturais que reforçam e mantém a violência de gênero. Entre os temas estavam legislação, liberdade e respeito.

Notícias relacionadas:

  • Em Brasília, mulheres denunciam feminicídios e a omissão do Estado.
  • Ministras exaltam luta das mulheres em ato contra o feminicídio.
  • Mulheres protestam no Rio e pedem maior presença do Estado.

“Vim hoje porque acho que é muito importante tornar visível a questão de quanto a misoginia fere o direito da mulher de existir, a nossa verdade de viver. Eu acho que tudo começa aí. Ela é tudo que fere a liberdade da mulher”, disse a professora Jessica Torres, 39 anos.

Para ela, não há uma idade a partir da qual se deve falar sobre o assunto com as crianças. A docente trabalha o tema como parte do conteúdo desde o ensino infantil,  já que os pequenos costumam repetir comportamentos da família, inclusive os discriminatórios.

São Paulo (SP), 07/12/2015 - Ato nacional pelo fim da violência contra as mulheres, com o tema Basta de feminicídio. Queremos as mulheres vivas!, na Avenida Paulista. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Ato nacional pelo fim da violência contra as mulheres, com o tema Basta de feminicídio. Queremos as mulheres vivas!, na Avenida Paulista. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

“Por isso é importante que os professores abordem com livros, atividades, com carinho e cuidado, demonstrem o que são atitudes misóginas. É uma coisa que pode ser leve, entende? A gente não está aqui para ser agressivo, a gente só quer poder ser livre”, acrescenta.

A pedagoga Fernanda Prince, 34 anos, trabalha com crianças de 6 a 8 anos. Ela considera muito fácil e interessante trabalhar o tema com esse público.

“Eles entendem muito fácil. É claro que sempre vai ter uma família ou outra que pode ver isso com maus olhos, mas é fundamental trabalhar essa pauta do feminicídio, da violência contra a mulher desde pequeno. E [esse tema] está em tudo, por exemplo, nos brinquedos, essa coisa de brinquedo de menina, brinquedo de menino, cor de menina, cor de menino. Tudo isso que parece ser bem ingênuo, na verdade, estão ali as sementinhas, tanto para o bem quanto para o mal” explica a docente, que foi para a mobilização neste domingo por já estar exausta. “Eu acho que não tem mais como não vir pra rua”, afirma, frente à quantidade de feminicídios e à facilidade com que pautas e influenciadores machistas destilam seu ódio em redes sociais e na comunicação eletrônica.

Maria das Graças Xavier, 58 anos, organizou a participação no protesto de um grupo de mulheres e homens que atua no movimento de moradia na região sudeste da capital paulista. Segundo ela, a articulação foi rápida e potente.

“A gente percebe que é um machismo estrutural, e precisamos acabar com isso,  temos que quebrar com o patriarcado. Esse ato foi uma chamada das mulheres, feita em menos de 10 dias, nacionalmente, em todos os estados. Estou aqui em São Paulo, mas teve ato em Pernambuco, na Bahia, em Minas, em vários estados”, destaca a militante.

Graça, como prefere ser chamada, considera urgente a discussão do papel do Estado na construção de campanhas e políticas públicas de combate à violência. Para ela, quem vive nas periferias vê constantemente mulheres machucadas e vê ou sabe de mortes causadas porque homens não aceitam a igualdade ou mulheres não se submetam a eles.

Leis severas

Durante a manifestação, os participantes levavam centenas de cartazes que pediam leis severas contra o feminicídio.

“Existe uma cultura de opressão às mulheres, uma cultura milenar. E tem muita mulher morrendo por causa disso, morrendo aos poucos com terrorismo psicológico, morrendo por falta de espaço na sociedade, dentro de casa, no trabalho. E a gente precisa muito falar disso”, afirma a comerciante Lilian Lupino, 47 anos. “Os homens se sentem protegidos por falta de leis severas de punição.”

Veja fotos da manifestação em São Paulo:

Fotos: Rovena Rosa/Agência Brasil

 

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